sábado, 12 de janeiro de 2013

Infantil Guerrear


O rosto está pintado de guerra. Pela centésima vez acordo o soldado adormecido. Ferido por estilhaços de bala, mas erguido nas chamas de um olhar infantil alheio. O suor aderiu a farda e misturou-se com o sangue dos companheiros mortos. O corpo marcado, não dói mais. Acostumado à suavidade da severa luta, a sofrer por um bem maior, como uma prostituta feliz que pinta os lábios e veste o vestido vermelho para receber os maus tratos de quem a monta sem lhe dar o direito de conhecer ao menos o nome.

O teatro “amoresco” não impressiona mais. Os ensaios na frente do espelho, as chacinas planejadas. Fuja, corra. Apenas não fique. Se insistires em ficar para travar esta batalha, acabarás morta. Trago no peito o amor pela lâmina de minha espada. Aos meus inimigos mostro o olhar perverso de quem não se espera mais uma faísca de compaixão. Eles me veem pequenino, porém continuo olhando nos olhos deles.

Como uma fornalha, minha voz ecoa. Salva-te. Não fiques. O horror do vestido vermelho é inimaginável, não aguentarias ver.

Quisestes ficar, portanto acordo por não suportar ver teu sacrifício. Você sussurra:

— Fuja, corra. Caso contrário, transformar-te-ei em pedra, como Medusa.

Sagaz, fui.