sexta-feira, 15 de março de 2013

Alter Ego - da série "Divagações"

Arte de Paulo Sérgio Zerbato
Tive um sonho repetido.

Acredito que todos já tenham passado por isto, o que tornaria irrelevante minha divagação.

Mas se fosse apenas um sonho repetido, poderíamos dizer que algum neurônio desatento mordeu suas próprias sinapses e ficou girando em loop, como se fosse um ouróboros ou um cachorro perseguindo o próprio rabo, ou um disco de vinil arranhado, ou a ilha de Lost depois que o Ben girou a roda... Ah! Você entendeu!

Não foi só um sonho repetido, novos detalhes apareceram e o que mais me impressiona: enquanto eu lá estava, os sonhos anteriores eram para mim simplesmente memórias e eu acreditava nelas, e não ficava surpreso por isso, por que eram memórias legítimas, acordei  até acreditando no sonho de tão críveis que eram as possibilidades e confesso que permaneci na dúvida por uns longos três minutos. 

Percebi também que mesmo em outros sonhos as memórias eram compartilhadas e formavam toda uma história, com eventos em comum que sugerem se tratar de uma continuação, mesmo existindo muitos anos terrestres de distância entre os sonhos.

Sim, caro leitor! Você está pensando certo: UNIVERSOS PARALELOS!

E SE num outro universo meu alter ego tem sonhos com a vida que levo agora?

Posso até imaginá-lo sonhando com uma sala de aula sem entender por que seu sobrenome está sendo invocado por um monte de pessoas confusas sentadas em computadores. Num dado momento, ele se vê na fila de um supermercado estranho, cujo logotipo ele não reconhece e quando vai pagar a conta, usa o cartão de um banco onde ele nunca foi cliente.

Se Hugh Everett III estiver certo, ele apenas acorda, esquece tudo isso e segue com a vida que resultou das minhas escolhas.

Você provavelmente terá outra explicação para esse fenômeno, afinal é comum querermos explicar tudo o que acontece. Esse texto tampouco pretende ser uma explicação, senão uma simples divagação sobre o fato. Mas a Matrix tem seus propósitos e se não fosse o desaforo das máquinas quererem usar humanos como baterias, aposto que haveriam muitos voluntários querendo viver lá pra sempre.

Só sei que meu alter ego, se realmente existir, deve acordar com muita inveja de mim.